OPINIÃO
Deixo de lado os versos
e experimentações das últimas postagens para iniciar escritos que opinam, que
revelam um pouco o escribundo e o assim de suas coisas e entendimentos.
Confesso que exitei,
procrastinei, quase me vi impedido de dizer algo sobre o que em seguida direi.
Não por falta de convicção. Nem por cautela. Nem por força de trauma. Tampouco
por entendimento parco ou tímido. Não escrevi no calor da coisa por conta da motivação
baixa. Sim. Pusilânime. Se o assunto me exigia, comentários, opiniões-certezas
e vaticínios das gentes que eu escutava, lia e ouvia, faziam-me afastar,
protelar os dizeres. Coisas que bombardeavam este escribundo, que por sua vez
não se reconhecia ali. Não era eu capaz de (retro) alimentar nenhuma das
impressões. Imprecisões. Trata-se daquilo chamado de AP 470. Sim! A ação penal
que levou quadros históricos da esquerda brasileira para a cadeia.
Lembro-me que entrei na
universidade, dentre outras coisas e assins, para estudar política. Estudei.
Politizei. Militei. Depois, segui o mundo. Segui no mundo pelos braços do assim
das artes, da música e dos seres, objetos e objetivos que pretendiam
transformar tudo o que há num existir melhor, mais doce, brando.
Assim continuei
escribundo, cantor, musicista, professor. Da política não me despedi. Só não a
tinha mais como preocupação primeira de meus nervos. Ainda um animal político.
Alguém irrefreavelmente de esquerda.
E eis que vejo não só a
prisão de quadros historicamente importante para este lado do espectro político
em que me encontro, mas também a tentativa renitente e clara de enquadrar,
encarcerar a própria esquerda. Justamente – ora, ora- aquela fatia da
esquerda que jogou o jogo. Nada de esfacelamento institucional. Revolução já
não há. Nunca houve para esta fatia da esquerda - se queres fazer revolução,
não peça votos … camarada! - Persistente que só. Tentou uma, duas, três, quatro
vezes. Venceu parcialmente o jogo jogado. Na regra deles, do jeito deles. E por
conta exatamente disso: com alguns deles. Claro! E pois! Foi aqui, por
coerência de quem sempre buscou a legitimação institucional, por razão de quem
não quis surrupiar o jogo, de quem supostamente queria reorganizar o meio de
dentro, aqui, estrelou a incoerência.
Ingenuamente,
canhotamente, continuou-se a jogar o jogo com as regras de trêsantonti.
Regras cordiais, ancestrais, ladinas, que fizeram vários entendidos dizer
peremptoriamente: do jeito que se organiza institucionalmente a política
naquele país verde-amarelão as coisas não poderiam mesmo dar certo. Sem
aflições! Deixa, deixa! Pois que tudo se transfigura – e quase se resolve, ora-
na alegoria do semblante sério do representante (?).
Tal esquerda errou em
continuar jogando o jogo sob as mesmas regras, que buscavam fortemente
endireitá-la. Errou, mas não inventou! Os donos do jogo, tal como o dono da
bola, uma vez percebendo o erro, a derrota no agorinha - e certos de serem os
donos do tabuleiro - não titubearam. Fizeram como um cão que tenta se livrar do
que lhe coça, ciente de que: vão se as pulgas, ficam-se os pêlos.
Perdeu! O jogo é meu, a
bola é minha, as regras também. Opa! A última das posses ditas, não vejo
declarada. Destramente – ou adestradamente- fabula-se: o modo de fazer
política no Brasil foi gestado no ventre ou no colo de algum animal de pêlos
ruivos e que traz consigo uma marca na testa. Não creio que este animal exista
e que coma capim. Só assim poderia ele e todos os seus pares assumirem a
paternidade do famigerado “filho feio”.
Não! Não se trata de
inocentar o culpado. Ainda que sejam pessoas cujas histórias revelam
disposição, convicção e coragem para buscar outro estado de coisas. Contudo,
não posso admitir mudo que ponham no colo da esquerda, de sua história, a
instauração das práticas corruptas, do modus operandi, arquitetadas
habilmente. Ô pá! Não pelos neófitos trabalhadores (re)partidos, mas pelos
timoneiros políticos de sempre. Leme que desguia numa imprecisão desonesta.
Feito assim, supremamente, do jeito que está acontecendo, a prisão não modela,
nem exemplifica. Ao não revelar os hábitos e os donos deles, admite-se que a
esquerda os inventou. Sei que a esquerda é maior. Mas o colo é um só, quando
conveniente. Que achado, não?! Delega-se a culpa total, quando ela é
parcial. E não acho isso pouco, devo dizer. Feita a oblação, tostados os bruxos
vermelhos, o estado de funcionamento continua o mesmo. O mesmo. O mesmo. O
mesmo. E o silêncio cúmplice, sorrateiro, age descaradamente,
desonrosamente. Tenta desconstruir e exilar a esquerda. Impregná-la de vilania.
Vesti-la com a pecha de corrupta e incompetente. Bruxa má!
Pois
que esse rebento nasceu, seu moço, faz tempo. E mamou. E mama ainda. E não
larga as tetas. Divinas tetas feridas e estropiadas. Direitinha, direitinho.
Quem pariu o troço que também o embale, viu Barbosa?!
Belíssimo texto Ricardo, lúcido e muito esclarecedor desta loucura institucional que estamos vivendo.
ResponderExcluirObrigado! O Escribundo escreve toda semana. Acho que o tema merecia! []s
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