Em 2013, fiz um dos trabalhos mais sensíveis de minha trajetória escribunda. Pediram a mim que pensasse num percurso de mulheres a partir dos acervos de três espaços museais de Belo Horizonte: Memorial Minas Vale, Museu de Artes e Ofícios e Centro de Arte Popular. Depois de flanar por aqueles espaços, de ouvir gritos e silêncios das vozes das mulheres de lá, criei um material baseado em textos e provocações. Tal material faz um convite aos professores da rede municipal e seus respectivos alunos: vamos escutar as vozes e encontrar as mulheres do caminho? O percurso foi desenhado e a história de mulheres contada. Tudo isso buscando amplificar as vozes daquelas mulheres, além de oferecer aos professores e alunos uma outra forma de experimentar os museus. Um jeito mais ativo, participativo. Os textos "areados"solicitam que os leitores os preencham. Os fios da trama dessa história querem ser cerzidos a parti do repertório de cada um. A iniciativa do trabalho partiu do Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual da SMED-BH.
Postarei aqui, hoje e nas semanas seguintes, alguns textos que compõem a História de Mulheres.
Eis a apresentação
O Percurso
de Mulheres – Vozes e Silêncios
Ouvidos
atentos. Prontos a perceber e escutar. Ora o sussurro, ora a fala gritada.
Ambos revelando a sua maneira trajetos, espaços, consciências, caminhos de
mulheres. Foi com a escuta e o coração desarmados que nos colocamos como
ouvintes dessas mulheres distintas, diversas, de carne e osso ou de barro,
encontradas em três espaços museais: Memorial Minas Vale, Museu de Artes e
Ofícios e Centro de Arte Popular. Deste exercício sensível e atento,
construiu-se o Percurso de Mulheres. De fato, este percurso pode ser entendido como
apenas um ou divido em três. Um para cada espaço citado acima. As vozes e
silêncios dos espaços podem complementar, negar, reforçar, destacar a de outro.
Mas todos têm sentido próprio, que cabe e ganha sentido em si. E também nas
provocações de cada um dos textos aqui contidos. Do esforço, não apenas o
percurso se erigiu, mas uma forma participativa, envolvente, afetiva, de se
escutar tais vozes e silêncios. Mais do que um didatismo, aqui se faz um
convite à construção de leituras, de significados, de entendimentos. Em cada
texto, cabem as impressões, as dúvidas, as curiosidades de cada estudante, de
cada professor. Ouvidos prontos, eis as mulheres do caminho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário